Quando o CMV sobe, o primeiro impulso costuma ser questionar o fornecedor ou trocar a matéria-prima por uma opção mais barata. Na maioria dos casos, esse não é o problema real — e a troca pode até piorar a situação, sem resolver a causa de fato.

CMV (Custo de Mercadoria Vendida) é um dos indicadores mais acompanhados em food service, e com razão: ele reflete diretamente a margem do negócio. Mas um CMV alto raramente nasce do preço pago pela matéria-prima — geralmente é o resultado de uma soma de pequenas perdas operacionais que, isoladas, parecem irrelevantes.

Onde o CMV realmente escapa do controle

Porcionamento sem padrão

Quando não há Fichas Técnicas claras definindo a quantidade exata de cada ingrediente por prato, cada profissional serve de um jeito — geralmente mais generoso do que o calculado. Multiplicado pelo volume de produção, esse excesso silencioso impacta diretamente a margem.

Desperdício por validade não controlada

Insumos que vencem antes de serem usados, por falta de controle de estoque ou rotação inadequada (não seguir o princípio de usar primeiro o que entrou primeiro), são perda direta — dinheiro que sai pelo lixo, literalmente.

"Antes de negociar com o fornecedor, vale entender quanto da matéria-prima comprada está realmente chegando ao prato — e quanto está se perdendo no caminho."

Armazenamento inadequado

Temperatura incorreta, embalagem mal fechada, ou simplesmente local impróprio reduzem a vida útil de um insumo antes do esperado — gerando perda que nem sempre é percebida como tal, porque acontece de forma gradual.

Falta de padronização entre turnos

Operações com mais de um turno frequentemente têm variações de processo entre as equipes — um turno mais cuidadoso com sobras, outro menos. Sem padronização documentada (POPs claros), essas diferenças se acumulam ao longo do mês de forma significativa.

O que uma análise de CMV bem feita revela

Em vez de cortar fornecedor reativamente, uma análise estruturada examina cada etapa: recebimento, armazenamento, porcionamento, preparo e descarte. Isso permite identificar exatamente onde a perda acontece — e, frequentemente, o ponto real do problema está distante de onde a atenção foi direcionada inicialmente.

Reduzir o CMV não significa necessariamente pagar menos pela matéria-prima. Na maioria dos casos, significa garantir que o que já foi comprado seja de fato aproveitado — e isso depende de processo, não de preço.